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Nós Somos Os Oceanos: Peixes são alimentos saudáveis?

Nesta matéria entrevistamos a nutricionista especialista em alimentação vegana Alessandra Luglio e a influenciadora e ativista indígena Alice Pataxó, sobre a alimentação de animais marinhos, o porque, e os riscos desta alimentação atualmente.

Não existe nenhum nutriente essencial exclusivo de alimentos de origem animal, incluindo peixes. Comemos peixe por opção, sendo onívoros, não por obrigação.” Ressaltou Alessandra no início de sua fala.

Alessandra Luglio (Nutricionista Vegana)

Todos os nutrientes dos peixes podem ser encontrados em outros alimentos marinhos, como algas. Nutricionalmente, peixes são como outras fontes de proteína, e proteínas são amplamente disponíveis em vegetais como feijão, grão de bico, lentilha, folhas e sementes. As dietas mistas tradicionais no Brasil já combinam esses alimentos.

Sobre o iodo, presente na água do mar e absorvido pelos peixes através das algas, não precisamos depender deles, pois o sal no Brasil é iodado, suprindo essa necessidade nutricional.

Quanto ao Ômega 3 (EPA e DHA), nosso corpo consegue produzi-los a partir do ALA, encontrado em sementes e leguminosas como linhaça, chia e nozes. Peixes acumulam EPA e DHA consumindo algas que os sintetizam diretamente.

Embora possamos produzir ômega 3 a partir de vegetais, a ciência sugere suplementação de DHA consumindo algas que os sintetizam diretamente. Embora possamos produzir ômega 3 a partir de vegetais, a ciência sugere suplementação de DHA durante a gestação e primeira infância para todos. Existem hoje ômega 3 produzidos diretamente de algas, em cápsulas e gotas, eliminando a necessidade do consumo de peixe.” concluiu a nutricionista.

Cação: O perigo do consumo de Tubarões e Arraias

Reprodução: Tubarões “Cação” Abatidos

Devemos ter maior cuidado com cação (tubarão) e arraias, pois são predadores de topo nos oceanos. Eles se alimentam de outros peixes, inclusive os mais debilitados que acumularam contaminantes ambientais ao longo da vida. Consequentemente, altos níveis de poluentes se concentram no corpo desses predadores. Análises laboratoriais em cação revelam altos níveis de poluentes em sua carne, representando uma ameaça à saúde humana como consumidores no topo da cadeia alimentar.

A fala destaca os perigos dos metais pesados, como chumbo e mercúrio, que são relacionados a lesões no sistema nervoso, especialmente em gestantes e crianças (até 8 a 9 anos, fase de formação cerebral). A exposição pode levar a déficit de atenção e déficit cognitivo, e a longo prazo, outros problemas podem surgir. Em adultos, estudos mostram uma possível correlação com TDAH, parkinson, alzheimer e demência, embora estudos mais robustos ainda sejam necessários. A recomendação é evitar o consumo desses animais devido à contaminação por metais pesados e outras toxinas ambientais.

Uma pesquisa feita pela Sea Sheperd Brasil, em agosto de 2023, mostrou que 54% da população brasileira desconhece a origem da carne de cação. Embora o consumo humano do produto seja comum no país, especialmente em regiões costeiras.

Devido à poluição dos oceanos por plástico, microplástico, agrotóxicos, resíduos industriais e metais pesados da mineração, o ambiente marinho atual não é seguro. Toda a vida marinha está poluída, como demonstrado por uma pesquisa recente que encontrou contaminação por microplástico e metais pesados em todos os camarões pescados em Santos e São Vicente. Os peixes, ao filtrarem a água, entram em contato com essas substâncias lipofílicas, que se acumulam na sua gordura e carne, afetando desde frutos do mar até peixes maiores.

Tem muitas empresas e setores que querem nossa desinformação sobre tudo isso, o setor pesqueiro inteiro, por exemplo, estão dizimando os oceanos, varrendo os oceanos com a desculpa de alimentar a humanidade, mas a que custo, sabe?”. Destacou Alessandra, que trouxe a conversa o quanto as indústrias poluidoras tem impacto direto na alimentação de animais marinhos atualmente. Para saber mais sobre, leia a matéria anterior com Nathalie Gil, onde explicamos os impactos das indústrias nos oceanos.

O consumo de Peixes como tradição, por Alice Pataxó:

Alice Pataxó (Indígena e Ambientalista)

Hoje temos resgatado muitos métodos tradicionais de pesca que estão associados a nossa cultura, além da pesca de rede e de arpão, pescamos em recifes, por exemplo, pescamos polvos, ouriços que são animais importantes para nossa saúde, pois acreditamos que são animais que fortalecem o nosso espírito, por isso consumimos. O processo de sentir, saber e escutar o mar, como sabemos que o vento está em boa condição, quando o mar está bom para pescarmos.” refletiu Alice sobre a conexão de seu povo com a pesca e com o mar.

Existem muitos processos do meu povo, mas não é porque é tradicional que será sempre bom! Vivemos em processos de mudança justamente por isso, nossa tradição é multada por este motivo. Hoje tem alguns hábitos alimentares que mudaram pois não eram saudáveis nem para nós e nem para o sistema no qual estamos inseridos. É entender que não é apenas sobre nós, e que existe um ecossistema inteiro que precisa ser mantido e criado”.

Alice Pataxó também ressalta que a tradição não é estática e passa por mudanças para se adequar à saúde e à manutenção do ecossistema, reconhecendo que as práticas devem considerar o bem-estar de todos.

Na próxima e última matéria da série especial “Nós Somos Os Oceanos”, abordaremos as soluções apresentadas por Nathalie Gil, Alessandra Luglio e Alice Pataxó para protegermos os océanos. Leia a matéria anterior!

Henrique Venirë
Henrique Venirë
Henrique Venirë é natural de São Paulo, tem 18 anos. É criador de conteúdo desde 2022, mas em 2024 se tornou jornalista profissionalmente falando.
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