O remake de “O Corvo“, dirigido por Rupert Sanders, tenta modernizar o clássico cult, mas acaba sendo uma tentativa frustrada de se reinventar como um “John Wick” versão emo. O filme se esforça para capturar a escuridão e o estilo que tornaram o original tão icônico, mas falha em quase todos os aspectos, resultando em uma narrativa superficial e desarticulada.
Logo de início, o filme apresenta uma trama que demora a ganhar ritmo. Ao invés de uma construção gradual de tensão e emoção, somos apresentados a uma história que se arrasta, com personagens cuja profundidade emocional é praticamente inexistente. A relação central, que deveria ser o motor da vingança de Eric Draven, é construída de forma apressada e sem qualquer verossimilhança.
Um relacionamento de uma semana é forçado a sustentar uma narrativa de vingança visceral, mas a falta de desenvolvimento torna essa premissa difícil de comprar. Sanders perde a oportunidade de criar uma conexão emocional significativa, algo que poderia ter elevado a trama e dado peso às ações dos personagens. Mesmo nas cenas de ação, onde o filme poderia compensar suas falhas narrativas, a execução deixa a desejar.
O trailer vende uma promessa de brutalidade e coreografias intensas, mas o que se vê na tela são sequências esparsas e sem o impacto necessário para prender a atenção do público. Com apenas duas cenas de ação notáveis, e uma delas durando meros 30 segundos, o filme desperdiça seu potencial de se destacar nesse aspecto. A falta de consistência e intensidade nas lutas só reforça a superficialidade geral da obra.As escolhas criativas de Sanders também são questionáveis, especialmente no que diz respeito à trilha sonora.
Há momentos em que a música parece completamente fora de sintonia com o tom da cena, como uma trilha animada tocando durante um momento que deveria ser reflexivo e sombrio. Essas decisões criativas mal direcionadas minam ainda mais a coesão do filme e dificultam a imersão do espectador.
Bill Skarsgård, que assumiu o papel de Eric Draven, claramente se esforça para trazer alguma gravidade ao filme, mas seu talento é ofuscado pela direção inconsistente e pelo roteiro fraco. Mesmo com uma performance dedicada, ele não consegue salvar “O Corvo” das falhas fundamentais que comprometem a produção como um todo. Em última análise, o remake de “O Corvo” é uma tentativa mal executada de revitalizar um clássico amado, mas que falha em capturar o espírito e a profundidade emocional do original. Com uma narrativa arrastada, personagens mal desenvolvidos, e cenas de ação que não correspondem às expectativas, o filme acaba sendo uma decepção tanto para os fãs do original quanto para novos espectadores.O remake teve distribuição nos cinemas do Brasil pela Imagem Filmes.